o silêncio

Julho 16, 2008

me parece o presente mais adequado. o silêncio. mas do tipo que vem como uma espécie de ordem. um decreto para que todas as vozes na cabeça se calem. para que a mente seja impedida de pensar, de ter idéias. boas ou ruins.

quero um silêncio poderoso o bastante para me jogar em outro mundo. me fazer dormir e acordar num lugar onde ninguém fala, ouve, reclama ou celebra. um lugar vazio, de paz absoluta. sem lembranças. sem memória ou expectativas.

um mundo invisível, secreto, onde não há internet, blogs, batidas na porta ou toques de telefone. um planeta distante que não conhece e-mail, caixa de entrada ou de saída. nada de compromissos, tarefas pra entregar ou prêmios para receber.

uma vila sem casas, gente ou bichos. sem tristeza ou alegria. sem festas, bandeiras juninas ou comidas típicas. sem ladrões e, melhor ainda, sem coisas. sim, um lugar sem coisas.

e se por alguma razão o silêncio acabar, que ele seja interrompido por um abrir de olhos lento, visão embaralhada e sons estranhos, embora suaves. e nada de branco. mas cores quentes e aconchegantes.

que ao fundo eu veja meu avô, fazendo uma fogueira e limpando o suor do rosto. usando o mesmo chapéu de palha de sempre. que minha avó esteja ao lado, brigando com ele. ele não se importa.

minha outra avó precisa estar brava. ralhando comigo por ter me demorado no sono. ela pode bater com as unhas na minha cabeça. com vontade de machucar. eu não me importo.

quero olhar pro lado e ver o rosto da minha mãe. chorando e rindo ao mesmo tempo. porque é assim que ela fica mais bonita. é assim que ela se liga a mim. pelas lágrimas e pelas bochechas vermelhas.

meu pai pode vir caminhando devagar. usando um calção adidas e uma camiseta de estrelas. o mesmo uniforme de pescaria dos anos 80. aquele que não me sai da memória. desde o dia em que me cedeu um caniço, já fisgado, só pra eu achar que tinha pegado meu primeiro peixe de mar. ele pode me olhar nos olhos e me abraçar. não precisa falar nada. porque ele tem olhos que falam.

meus irmãos têm que estar juntos. e que eu os veja imortalmente infantis. pequenos, bochechudos e de cabelos atrapalhados. eles têm que pular no meu colo e me beijar. beijos molhados.

meu filho pode bater-me no rosto. com a mãozinha aberta. dizendo “pai, pai”, com a mesma voz rouca que ele faz em todas as manhãs. que ele me abrace de maneira sufocante. enrolando-se ao meu pescoço.

minha filha tem que sorrir. com dentes de leite, dentes novos e alguns ainda brotando. precisa estar de trança e um prendedor de cabelos na forma de bichinho. qualquer coisas que me impeça de perceber o quanto ela cresceu.

tenho que ver os cabelos, a boca e as mãos da minha mulher. e as mesmas unhas pelas quais me apaixonei um dia. preciso vê-la escrevendo com a mão esquerda. um bilhete curto, com letras redondas. um recado para mim. terminando como todo recado deveria terminar. com aquelas três palavras que me fazem lembrar que nascer de novo é melhor do que morrer para sempre.

amizade

Julho 15, 2008


friendship2

Originally uploaded by laperegina

é o tema que mais me impressiona nos dois livros que estou lendo sobre o transtorno bipolar. ambas as autoras mencionam amigos importantes nas fases de mania ou depressão. há sempre um amigo ou uma amiga disposta a ouvir, afagar e ajudar a segurar a onda.

meu problema com a amizade é a sua ausência.

update 1: os comentários neste post indicam, claramente, o meu problema. não sei ter amigos. eles estão aí, mas não sei como me relacionar com eles. não sei fazer contato.

update 2: escrevi “fase” com “z”. e já arrumei. portanto, quem leu antes, finja que não leu. combinado?

o luar

Julho 13, 2008

na versão davi da obra e edward munch.

mariana valadão

Julho 10, 2008

foi quem eu fotografei em uma das sessões mais sensacionais de todos os tempos. deu tudo certo.

mariana valadao

comprei dois livros

Julho 10, 2008

sobre transtorno bipolar. “bipolar, memórias de extremos“, da terri cheney e “não sou uma só: diário de uma bipolar“, da marina w. o primeiro achei sem querer. o segundo foi recomendado por vários leitores do blog. os dois são ótimos.

estou lendo simultaneamente. um capítulo deste e outro daquele. o relato da terri cheney é estilo “faca na caveira”, “chute na porta”, “tapa na cara”, sabe? tem sangue no primeiro capítulo e o texto até machuca de tão bom.

o livro da marina tem uma narrativa mais serena, um diário mesmo. é mais próximo da realidade. parece menos com filme e mais com a vida. e assim vou tentando entender a coisa.

é hoje

Julho 10, 2008

que eu apareço no multishow. às 21h15. abaixo, o screenshot da chamada no site do programa.

urban ninja

Julho 7, 2008

é o que toda cidade precisa. dica do super chapa everaldo.

linha clonada

Julho 7, 2008

é a hipótese mais recente da gvt para os meus problemas. e hoje um técnico de nível sei lá qual vai olhar isso. o problema é que eu já cheguei naquele ponto em que não tenho mais vontade de ver a solução do problema. só quero me livrar desse serviço.

a corrida dos ratos

Julho 7, 2008

é tão verdade, mas tão verdade, que  assusta. mas tenho uma teroria de que boa parte de quem a vive geralmente não sofre. porque é rato.

gramado é meu plano b

Julho 6, 2008




Gramado - RS

Originally uploaded by LenSOP

pra todos os outros planos de fuga de belo horizonte. se tudo falhar, confio que gramado me receberá, um dia.