Fiz uma aula de spinning

20 ago

E é por isso que o mundo deve acabar em breve. Não apenas foi a minha aula de estréia, mas a primeira vez que exercitei algum músculo desde o meu nascimento. Na época, durante o parto, eu até fiz algum esforço. De lá pra cá, nada.

A experiência foi ótima e, naturalmente, embaraçosa. Eu no meio de uma turma de 20 ou mais. Todo mundo num ritmo frenético. Gente de todo jeito. Velhos, novos, magros, gordos e eu, criando uma categoria totalmente nova, a de alunos 100% incompatíveis com a tarefa.

Todos na sala chegaram, com esforço, ao final da aula. Eu fui o único que, apesar de toda a fé na capacidade humana, mal saí das primeiras pedaladas e já comecei a chorar gritando o nome da minha mãe.

Ao final da aula eu tinha certeza que já havia perecido e seja lá o que estivesse vendo diante dos meus olhos, era tudo efeito colateral do momento de transição desta vida para o limbo.

Para celebrar o meu fracasso, matriculei-me antecipadamente por um ano. Quem aposta em mim? Projeto Clooney aos 40. Começa agora.

Ao Sono

1 ago

Sempre fui seu inimigo, é o mais justo a dizer. Ainda menino, nunca quis cruzar seu caminho. Todas as noites, vinha me visitar e eu o evitava. A ponto de fazer com que desistisse de persuadir-me a levar uma vida melhor, regalada de momentos irresgatáveis. Perderam-se todos.

Moleque e por toda a juventude, dava-lhe surras regulares, todas as noites. Durante a tarde sequer o via tentando me amolar. Eu era implacável, impossível de demover. Venci a maior parte dos nossos embates. Te dexei humilhado, tantas vezes, contemplando o próprio fracasso de voltar para as suas terras sem cumprir o ofício mais básico.

Hoje, sofro o mais imenso dos remorsos. Quero você de volta. Quero te ver, pelo menos um pouco. Redimir-me, se é que possível, por uma vida inteira de zombaria e escárnio. Por tantas auroras orvalhadas de cafeína e olhos arregalados. Por tantas orgias cerebrais que duram até hoje. Pela amizade inquebrável que fiz com o alvorecer e seus irmãos celestes.

Velho de espírito e desmoralizado, preciso me entorpecer para conseguir o mínimo da sua atenção. Embriago-me em cápsulas que transportam para o seu mundo, onde me espera a pior das expressões, o mais cruel e fixo dos olhares. Me apunhala fundo nos olhos. Na testa, as rugas de reprovação e na boca um sopro que logo me joga de volta ao mundo em que um dia fui rei.

Hoje, neste mundo, sou um pobre coitado. Um mendigo sujo, maltrapilho, ainda cafeinado e mais vulgar que antes. Esperançoso de que me aceites de volta. Mesmo entendendo, com a sabedoria de alguma idade, que és soberano em tudo. Você estava aqui quando eu cheguei e, assim como o resto do Universo, nem vai notar quando eu partir.

Ainda assim, mesquinho e humano que sou, permito-me fazer o que se faz de melhor nessa terra e suplico. De joelhos dobrados, doídos e humilhados, olhos marejados, mais de ódio e cansaço que de tristeza, imploro, do fundo do coração, que me acolha de volta em seus braços.

Preciso de você. Preciso dormir.

Princesa, uma ova!

4 mar

Gostaria que você fosse diferente. Se tivesse o poder, tentaria mudá-la. Transformá-la em alguém comum. Seria bem mais fácil me despedir. Mas, rebelde do jeito que é, não me surpreende que esteja estragando tudo.

Quisera eu saber, há quatro anos, quando te conheci, que seria amaldiçoado com a praga de gostar tanto de alguém. Que teria a má sorte de me encabular como uma criança. Poderia ter me preparado melhor. Talvez com um pouco mais de tempo. Quem sabe uns oito, vinte, oitenta anos?

E nesse período todo que passamos juntos, queria muito saber, pra que tanta dedicação e competência? Que necessidade de ser sempre pontual, responsável, comprometida e absurdamente focada nas suas obrigações? E por que tão doce? Pra que tanto encanto? Qual a recompensa de misturar seus mil jarros de meiguice a tudo aquilo que faz?

Só pode ser crueldade. O mal que se esconde por trás da bonequinha Nath. A magia que me transforma num ser completamente dependente de tantas “nathalhices”. Feitiço trapaceiro que me faz dizer, ao ver você partir, a única coisa que realmente posso. Muito obrigado.

Boa sorte, Nath, em tudo o que fizer. E continue seduzindo a todos que passam pelo seu caminho. A gente sofre quando acaba, mas vale a pena enquanto dura.

Chefinho.

O dom dos conformados

17 fev

A felicidade, aparentemente, não está diretamente ligada a fatores externos como condição social, sucesso no trabalho, relacionamentos pessoais e amorosos, ou mesmo a saúde física.

Isso deve ficar claro sempre que percebemos gente que tem tudo isso e é infeliz. Enquanto perambula, mundo afora, uma multidão de desafortunados que só sabe sorrir, mesmo quando lhes faltam os dentes.

A felicidade, portanto, parece muito mais abraçada à capacidade do indivíduo de se dar por satisfeito em situações diversas e contraditórias. Isso enquanto suprimem a predisposição para enxergar os cardos e abrolhos que amaldiçoam esta Terra desde sempre.

Em contrapartida, a cultura e o todo o conhecimento que nos é presenteado diariamente pela ciência, aparentemente colaboram para aumentar a dificuldade daqueles que não conhecem o contentamento.

Para o pobre sábio inconformado, a luz que o ilumina é a mesma que o destrói. A indignação com o erro, com a falta de lógica, com a ignorância alheia só faz aumentar quando ele se depara com mais erro, falta de lógica e ignorância.

Felizes são aqueles que sabem conviver com tudo. Que sentem-se bem em qualquer situação. Que dão de ombros pra vida e a vivem, do jeito que ela vem. Seja por escolha, capacidade mental ou pura falta de cérebro, talvez a maior de todas as bênçãos.

Para nós outros, resta a luz. E, com ela, mais tristeza. Até que um dia a luz se apaga e a tristeza desaparece.

A arte do descontentamento

7 fev

Não gosto do dia. Nem da noite. O calor me incomoda. O frio entristece. Chuva, me mata de medo. Da seca fujo eternamente. Não gosto do trabalho. Não consigo abandoná-lo. Quero descanso, não sei parar. Deveria.

Gosto da cidade, com a mesma intensidade que a detesto. Quero viver no campo, mas o tédio me assusta. Ainda ergo um arranha-céu, ou criarei galinhas. Sou amigo do ócio. Ponto.

Se durmo, quero acordar. Quando acordo, pra quê? Na vida, vejo pouco propósito. Mas é tanto tempo. E há muito a se viver. Falta-me paciência. Sobram-me as desculpas.

Fui privado, em algum momento da existência, da dose adequada do elixir da satisfação, da felicidade.

Pra mim, vai tudo mal. Até que fica bem.

Eu admiro os gênios

1 fev

Especialmente aqueles com distúrbios mentais. Passei o dia lendo sobre Vincent van Gogh. Acredita-se que ele sofria de transtorno bipolar, a mesma maldição que a minha.

Naturalmente, acabam aí as semelhanças. Meus distúrbios aparecem acompanhados de tudo, menos de genialidade.

Van Gogh só precisou de 37 anos para marcar o mundo para sempre. Eu já gastei 34 e não consigo sequer impressionar a minha mãe.

Você já deve conhecer as pinturas de van Gogh. Não se esqueça de ler as cartas. Um tesouro.

Fim da Novela, Zurich paga a conta, a Internet venceu

29 jan

Aparentemente terminou a minha novela com a seguradora no meu incrível acidente do carro fantasma. Recebi um comunicado oficial da Ouvidoria da Zurich acatando minha reclamação, aceitando que os danos não aparentes eram, obviamente, relacionados ao sinistro original. Sinistro, mas resolveu.

Impressionante como a mobilização aqui pelo blog e o apoio de todo mundo revolucionou a história. Aqui, nos comentários, e também no Facebook e Twitter. Obrigado a todos!

Podemos tirar uma penca de lições da coisa toda. Vamos a elas:

01) Ao se envolver em um acidente, não poupe detalhes no boletim de ocorrência. É um porre ficar horas na delegacia resolvendo isso, mas quanto mais você detalhar , menos dores de cabeça terá depois. Mencione alguns detalhes como a intensidade da colisão. Se a batida foi violenta, faça isso constar no boletim.

02) Durante o processo de reparo em que a seguradora do causador da batida é responsável, prepare-se para o momento “não vou pagar” da empresa. Com o meu caso, acabei ouvindo outros muitos de visitantes do blog e amigos do Facebook e Twitter. Todos parecidos nesse ponto. As seguradoras se recusando a pagar nas situações mais absurdas. Prepare-se, portanto, pra não levar susto sem necessidade.

03) Depois da notícia “não vou pagar” da seguradora, respire fundo, conte até dez e ligue pro atendimento. Só pra constar, porque, pela minha experiência, nada vai mudar.

04) Reclame publicamente. Quando a coisa vai pro ventilador, a reputação da empresa entra em jogo. Quando é só entre você e ela, aparentemente isso não tem importância. Torne a coisa pública. Use sites como o Reclame Aqui, jogue a bomba nas suas redes sociais. O Facebook e o Twitter foram fundamentais no meu caso. Conte com os amigos. E agradeça-os depois (obrigado, amigos, você foram espetaculares).

05) Conte com a sorte de alguém da imprensa perceber seu caso e transformá-lo em matéria. Aconteceu comigo. A repercussão foi tão bacana nas redes sociais, que uma jornalista do Estado de Minas (cutucada pela minha amiga Lili) fez da coisa pauta. Não sei até que ponto isso colaborou no meu caso, mas imagino que tenha. E muito. Mais uma vez, as empresas não curtem ver a reputação ir pro limbo nos jornais. A matéria, a propósito, sai nesta segunda, no caderno do consumidor.

06) Tire uma foto bacana pro jornal. Sua mãe ficará mais feliz e mostrará para mais amigas.

E se quiserem evitar o problema e todos os outros passos, façam como meu amigo Bira e andem só de Táxi.

Novela com a Zurich seguradora

24 jan

No final do ano passado um carro sem motorista bateu com o meu. Isso mesmo. Um carro sem motorista. O carro que provocou o acidente estava estacionado. Aparentemente o freio de mão não funcionou e o carro desceu a rua batendo em outros três veículos (que estavam estacionados) e parando apenas no meu, que subia a rua íngreme. Após bater nos primeiros dois veículos, o carro sem motorista ganhou velocidade e desceu a rua velozmente, só parando ao bater com o meu. A batida foi extremamente forte. O pára-choque afundou completamente.

A seguradora do motorista responsável pelo carro “fantasma” é a Zurich. Meu carro foi levado para a oficina credenciada. O vistoriador Giovani, da Zurich, identificou o dano no pára-choque e disse (para a minha esposa, que levou o carro) que após a remoção seria possível identificar outros eventuais danos, não aparentes.

Dito e feito. Somente após remover o pára-choque constatou-se que havia outros danos, incluindo o radiador, condensador e o farol. Um funcionário da oficina confirmou que não haveria como identificar estes danos durante a vistoria para o boletim de ocorrência e antes de remover as peças.

A Zurich se recusou a cobrir o restante dos prejuízos, dizendo, absurdamente, que estes danos não se relacionam com o sinistro. Meu carro continua na oficina. Já reclamamos pelo telefone (só serviu para perder mais tempo e ficar mais dias sem o carro).

O proprietário do carro que provocou o acidente também formalizou uma reclamação e recebeu a mesma resposta, de que os danos não aparentes não se relacionam com o sinistro.

A Zurich não quer cobrir danos claramente relacionados a um evento em que eu fui vítima (lembrando, o carro que me bateu estava sem motorista e descendo uma rua íngreme até bater em alta velocidade de frente com o meu). Como eu disse, não havia como qualquer pessoa perceber este danos não aparentes (daí o nome), salvo na oficina, após a remoção do pára-choque.

UPDATE: Quem quiser dar uma colaborada, pode entrar no post que fiz no Reclame Aqui e comentar. Futuro! http://www.reclameaqui.com.br/1010628/zurich-brasil-seguros/zurich-nao-quer-cobrir-os-danos-que-nao-estavam-aparentes/

Abaixo, o diagrama da batida com o carro-fantasma.

UPDATE 2: Estou impressionado com a participação e solidariedade das pessoas aqui no Blog e também no Twitter e no Facebook. Já ouvi um monte de histórias parecidas com a minha, transformando esse comportamento de seguradoras quase em padrão. Chocante.

UPDATE 3: Minha amiga jornalista, Lili, me disse que o jornal Estado de Minas quer fazer uma matéria sobre o tema (consumidores que precisam recorrer à internet para reclamar os direitos). A coisa está esquentando!

UPDATE 4: Acabei de dar a entrevista pro Estado de Minas.

Aqui vão alguns “prints” da participação da turma no Facebook e Twitter:

Mel

15 jan

Em toda a minha vida, eu jamais fiz um book da minha filha. Nunca. Daí já dá pra ter uma ideia da beleza de pai que eu sou. Bem, hoje, finalmente aconteceu. E me deixou completamente assustado. Minha garotinha é uma mulher. Como assim? Fiquei com cara de “double rainbow”.

Nunca havia olhado pra ela como fiz hoje. Como uma garota normal. Ela é amável, linda, tem um senso apurado de beleza. E me faz muito orgulhoso. E velho.

bressane store :)

14 jan

Resolvi organizar minha vida e fazer um “Garage Sale” de tudo o que eu não tenho usado. Nisso vão coisas como um iMac mega ultra novinho, que estava no estúdio decorando o ambiente. Vão algumas lentes que eu acabei substituindo nos últimos anos. Vai uma Canon 7D com menos de 1 ano, que vou vender porque comprei a 5D. E pretendo sapecar também outras coisinhas. Vou tentar vender tudo num preço mega camarada. Quem quiser, me cutuque. Vai entrar tudo aqui na “Bressane Store:P

 

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